Abro os olhos e percebo que estou
em um local que nunca estive na vida. Um quarto grande e escuro. Tento me
levantar da cama em que estava mas tava difícil. Estava me sentindo fraco.
Olho para o lado e vejo Vinícius
deitado em outra cama. Estava num sono profundo. Parecia mais que estava morto,
nem a barriga dele se mexia. Aos poucos fui me levantando e indo em direção a
ele, com dificuldade mas consegui.
- Vinícius,
acorda!
Falei isso
milhares de vezes. Cutuquei, empurrei, até bati nele, mas nada dele acordar.
Chorei por algum tempo. Pensei que
meu amado não estava mais vivo.
- Finalmente
você acordou Max. - Disse Bryan que acabara de entrar naquele quarto.
- O que
aconteceu? Onde eu estou? Meu Pai morreu? Eu morri?
Ele cai na
risada.
- Seu pai
está vivo, tecnicamente você também está, e vocês estão na minha casa.
- Como assim
tecnicamente?
Nesse
momento Vini abre os olhos e começa a respirar super rápido, como se ele
estivesse se afogando.
- Você está
em transição Max! Na verdade, os dois estão.
- Como
assim? O que você fez conosco Bryan?
- Eu só fiz
o que Vinícius me pediu.
- E o que
ele pediu?
- Calma
amor, eu vou explicar tudo. - Disse Vinícius.
- Então diga
logo!
- Quando seu
pai atirou em você, você estava perdendo muito sangue...
- É, eu
lembro disso.
- ... Depois
Bryan apareceu, desarmou ele e o deixou inconsciente.
- Isso é a
última coisa que eu me lembro.
- Eu não
podia deixar você morrer.
- Eu não
morri Vini, eu to bem aqui.
- Que tanto
blá blá blá é esse?! Eu mesmo vou dizer o que aconteceu. - Disse Bryan
extressado. Você desmaiou nos braços de Vinícius. Ele não parava de chorar. Eu
me aproximei de vocês e ele disse: “Bryan, faça alguma coisa, não deixe meu
amor morrer”. Então eu disse que podia te salvar apenas de um jeito.
- Como?
- Te
deixando imortal.
- Você me
transformou em vampiro, é isso?
- Sim!
Transformei. Vinícius insistiu.
- Mas porque
transformou ele também?
- Ele tava
fazendo drama, dizendo que tinha que transformar ele também porque ele queria
viver com você pra sempre e blá blá blá.
- Você abriu
mão da sua humanidade por minha causa Vini?
- Eu faço
tudo por você meu amor.
Depois de
dizer isso ele me dá um abraço bem apertado.
- Só tem um
pequeno detalhe nisso tudo.
- O quê?
- Para
completar a transição vocês tem que se alimentar de sangue humano.
- Isso é
nojento! Se eu recusar? - Disse Vini
- Você não
tem opção. Ou faz isso ou morre. Você não pensou nisso quando pediu para virar
vampiro né Vinícius?
- Não pensei
mesmo. Eu não quero matar ninguém.
- Nem eu.
- Pensem bem
gente. Não tem ninguém que vocês querem acertar as contas? Não precisam matar,
apenas se alimentar e apagar a memória depois.
Nesse
momento eu olho pra Vinícius e faço aquele olhar de “já sabe o que temos que
fazer”.
Esperamos anoitecer, e saímos da
casa do Bryan em direção à minha. Pai estava na sala, bebendo e chorando. Acho
que estava arrependido do que tinha feito mais cedo.
- Toc toc. -
Batemos na porta.
Pai abre, e
ao me ver ele me abraça pedindo desculpas. Dizendo que quando acordou só viu as
manchas de sangue no tapete e eu não estava lá e que ficou desesperado. Quando
ele disse isso até pensei em perdoar, mas ao encostar a boca perto do pescoço
dele a sede de sangue falou mais alto.
- Tarde
demais Pai!
Empurro ele
pra dentro de casa, derrubo ele no chão, e mordo o pescoço dele. Ele tentava
gritar, mas Vinícius estava tampando a boca dele. Foi incrível que eu estava
amando fazer aquilo enquanto Vini estava meio que lutando pra não provar o
sangue.
- O que você
tá esperando amor? Você não está nem com um pouco de raiva pelo que ele fez
mais cedo? - Disse eu com a boca toda melada e com os olhos vermelhos.
Eu percebia
que ele estava se esforçando ao máximo. Nem olhar pra mim ele estava olhando.
Mas teve um momento que ele não aguentou e voou do outro lado do pescoço.
Não estávamos conseguindo parar.
Nunca pensei que sangue tivesse um gosto tão saboroso.
Nisso Bryan aparece um joga um para
cada lado.
- Assim
vocês vão matá-lo.
- Eu não
ligo, eu só quero mais. - Falei como se tivesse com uma fome insaciável.
- Isso já
basta! Vamos para casa descansar.
- Mas eu já
estou em casa.
- Não mais.
Você não pode voltar pra essa casa.
Nesse
momento eu pensei em perguntar o porquê, mas estava tão aliviado que ia me
livrar do meu pai que resolvi deixar pra lá.
- E onde eu
vou morar?
- Comigo. E
você também Vinícius.
- Eu não
posso Bryan, minha mãe precisa de mim.
- Não
precisa não. Eu já hipnotizei ela para ela parar de sofrer e ser feliz. Fiz ela
esquecer que conheceu seu pai e teve um filho.
- Não
acredito que você fez isso. Mas tudo bem, se você fez ela parar de sofrer eu
agradeço.
- Espere!
Cadê meu Pai?
Olhamos para
todos os lados e não o encontramos. O estranho é que ele já estava quase
inconsciente, então ele não poderia ter saido dali andando, muito mais
correndo. Fiquei apavorado.
- Pra onde
será que ele foi? Será que ele tá bem? Ele tava sangrando muito. E se ele
morrer? Ou até mesmo se ele contar pra alguém?
- Calma
menino. Se ele contar pra alguém ninguém vai acreditar. Vamos logo pra casa,
amanhã resolvemos isso.
Chegamos, Bryan mostrou onde
iriamos dormir, e fomos nos deitar. Era o mesmo quarto em que estávamos mais
cedo. Logo após ele saiu do quarto. Eu e Vinícius ficamos olhando um para o
outro um bom tempo.
- Tá
confortável amor? - Disse Vini
- Estaria
mais se você tivesse aqui comigo.
- Tive uma
idéia!
Ele se
levantou e juntou as nossas camas.
- Melhorou?
- Bastante.
Agora poderemos dormir juntinhos sem ninguém incomodar.
Então namoramos um pouco pra tentar
esquecer o dia super legal que tivemos (ironia). Só que sem sexo dessa vez.
Rolou apenas beijos e amassos. E algum tempo depois fomos dormir.
Pela madrugada eu acordo com muita
sede, me levanto para ir beber água e vejo alguém na sala assistindo o jornal,
e escuto a jornalista falando:
“Isso é
loucura, esse homem que achamos aqui na rua jura que foi mordido por um
vampiro.” Daí olho pra TV e vejo que é meu
pai, e ele começa a gritar: “Meu filho é um vampiro, aquele viado e o namorado
dele.” Depois a jornalista diz que ele será encaminhado para um hospital e depois para uma clínica
psiquiátrica.