Estava eu, em minha casa numa sexta
à noite estudando para a prova de Inglês que iria ter na Segunda-Feira. Estava
feliz, pois estava sentindo que ia me dar bem nela.
Eu moro
com meu Pai. Ele é muito ausente porque viaja todos os finais de semana a
negócios e esse fim de semana não seria diferente. Eu ia passar o final de
semana sozinho em casa. Ele era muito liberal comigo, me deixava fazer o que
bem entendesse, mas mesmo assim não fazia nada de errado, porque eu sou muito
na minha, meio tímido e só tinha um amigo na escola.
Vinícius
era aquele tipo de garoto popular que conhecia todos do colégio e já tinha
pegado todas as meninas da escola. Não sei bem porque ele era meu amigo, já que
todos me achavam estranho, mas mesmo assim ele ia lá em casa e as vezes saíamos
juntos. Nesse final de semana ele ia para uma casa no lago que a família dele
tinha, ele me convidou para ir e eu aceitei.
Chegando lá me espantei! Era um lugar muito
bonito, cheio de árvores e o lago era extremamente maravilhoso. Entramos na
casa e já fomos nos acomodando. Era grande, porém só tinha dois quartos, um
para mim e Vini e o outro para os pais dele. Após me mostrá-la toda, fomos para
o quarto e logo nos jogamos na cama, foi uma viagem muito longa e estávamos
muito cansados.
Pela
madrugada, sinto algo tocando minhas costas, como se fosse uma mão, alisando
delicadamente. Finjo estar acordando e de repente não sinto mais nada. Alguns
minutos depois sinto novamente algo, dessa vez no Pescoço. Viro-me lentamente e
vejo Vinícius deitado ao meu lado sorrindo para mim, pergunto o que ele está
fazendo e ele diz para eu não falar nada. Achei estranho o que ele disse e
perguntei novamente, e ele disse que estava acariciando a pessoa que ama.
Fiquei surpreso, porém calmo.
- Como assim? Eu perguntei.
- Eu te amo e sempre te amei, desde o primeiro dia que te vi
lá na escola lendo um livro de Mangá não consegui mais parar de pensar em você.
Fiquei assustado! E logo perguntei.
- Mas eu sou homem, e você gosta de mulher não é?
- Isso tudo é muito confuso, por favor, me diga que sente
algo por mim. Disse ele.
Eu fiquei sem saber o que responder, acho que naquele momento
eu estava mais confuso do quê ele. Nós começamos a conversar e ele começou a
chorar. Perguntei o que estava havendo, e ele disse que nunca sentiu nada assim
antes. Eu o abracei, ele correspondeu tão apertado que parecia que não nos
víamos a anos. Aos poucos ele foi se acalmando, mas não conseguia parar de
chorar. Eu comecei a enxugar as lágrimas dele e ele ficou olhando para mim com
aquela cara de cachorro pidão, não sabia o que fazer. Ele começou a aproximar o
rosto dele do meu, nossos lábios quase se tocaram, quando me levantei e fui ao
banheiro. Fiquei olhando o meu reflexo no espelho e perguntando para mim mesmo
o que estava acontecendo comigo. Nunca pensei que um dia isso poderia
acontecer, eu só pensava em estudar e nunca parei para refletir sobre sexualidade.
Não sei do que gosto ou não, porém no fundo eu quero beijá-lo. Fiquei super
confuso, eu tinha que sair daquele banheiro e falar alguma coisa para ele.
Tentei me pôr no lugar dele, e não seria legal passar pelo que ele está
passando. Logo após refletir sobre isso fui em direção ao quarto, sentei ao
lado dele e pegando naquelas mãos macias disse:
- SEM LIMITES!
Ele me deitou, ficamos olhando um
para o outro, ele começou a passar as mãos delicadas dele sobre o meu rosto, e
com um sorriso contagiante ele disse:
- Você é tão Lindo!
Aos poucos ele foi aproximando o
rosto dele do meu novamente, só que dessa vez eu não iria fugir, não conseguia
me mexer, eu estava paralisado. Já estava quase sem fôlego quando escutamos a
mãe dele gritar.
- Vinícius! Corre aqui!
Nós fomos ver o que ela queria e nos
deparamos com o pai dele desmaiado, parecia morto. Interrompemos nosso final de
semana “perfeito” e corremos para o hospital mais próximo. Chegando lá, ele foi
atendido rapidamente porque era um caso de urgência. Depois de um tempo, um
médico aproximou-se de nós e disse que o pai dele tinha sofrido um ataque
cardíaco e não conseguiram reanimar ele. Nesse momento faltou chão para Vini e
a mãe dele. Ela desmaiou, porém o médico a segurou, e ele me abraçou se
acabando em lágrimas.
Logo após eu tê-lo acalmado um
pouco e a mãe dele ter acordado, eles foram me deixar em casa. Não falei com
Vini o resto do final de semana inteiro.
Na Segunda-Feira eu o procurei na
escola, mas não achei, na Terça também nada dele aparecer. Na Quarta eu estava
na aula de Biologia quando recebo um SMS dele dizendo assim, “Max! Não
precisava ter feito aquilo por mim sexta. Foi bom mesmo que não tenha
acontecido nada entre nós. Eu não queria que você ficasse comigo por pena.
Agora que meu pai não está mais aqui, minha mãe está entrando em Depressão e o
amor da minha vida não me ama, eu não tenho mais motivos para viver. Estou aqui
no telhado da escola, mas por pouco tempo. Adeus!”
Nesse momento eu saí de sala,
correndo para o telhado com os olhos lacrimejando pensando que não ia aguentar
viver, quando a única pessoa que disse que me amava não estaria ao meu lado.
Quando cheguei lá, ele estava em pé na beira do telhado com os braços abertos,
tremendo de medo do que ia fazer. Olhei para ele e gritei:
- Vinícius, não faça isso, por favor!
- Eu não tenho mais motivos para
viver. Disse ele.
- Mas, por favor, não faça isso, eu
preciso de você ao meu lado.
- Ainda não me convenceu. Disse Vini.
Com minha cara toda molhada de lágrimas
e gritei:
- EU TE AMO! Eu não vou conseguir
viver sem você. Por favor, não me deixe.
Ele foi virando lentamente, desceu da
quina do telhado, e com uma cara de choro, porém de felicidade, veio correndo
em minha direção e me abraçou. Queria que aquele momento durasse para sempre.
Ele tirou a cabeça do meu ombro, e perguntou se eu o amava mesmo. Sem nem
pensar, disse que sim! E aos poucos ele foi aproximando o rosto dele ao meu, e
finalmente nos beijamos. Nossa! Que sensação foi aquela?! Era como se o céu não
tivesse limite. Estava me sentindo nas nuvens, flutuando e flutuando. Passamos
a manhã toda naquele lugar nos beijando, nos acariciando, nos amando. Acabou o
dia e fomos pra casa, cada um para a sua. Passei a noite toda pensando naquele
momento perfeito que tivemos juntos, e mal podia esperar pra vê-lo novamente.
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